Black Eyed Peas na Billboard Brasil

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O Black Eyed Peas  estampa a capa da edição brasileira da revista Billboard de Abril. Will.I.Am e Fergie concederam uma entrevista super legal onde falaram que sim, o grupo virá para o Brasil ainda este ano. Leia a matéria cedida pelo FergieBR clicando em Mais logo abaixo.

O Quarteto Fantástico
Black Eyed Peas derrota a crise com músicas assumidamente escapistas e trabalha duro para divertir o planeta inteiro.

Não é fácil falar com Will.i.am. No meio de uma longa turnê americana e concorridíssima agenda de eventos promocionais, o líder do Black Eyed Peas nem sempre é encontrado pelo pessoal da gravadora na hora marcada. Nem mesmo no dia. Depois de uma hora e meia de tentativas, a entrevista teve de passar para 72 horas depois. No problem. Duas tentativas na nova data e, como diria aquele general alemão de Bastardos Inglórios, “it’s a bingo”. Will é boa praça, atencioso e ligadão no Brasil. Brother de Sérgio Mendes, chegado de Marcelo D2 (gravou com ele “Sangue Bom”, veja só), fã de feijoada e das lojas de disco daqui, ele já começa logo acalmando os fãs brasileiros. “Não se preocupem, nós vamos dar um jeito de tocar no Brasil até o fim do ano. Para falar a verdade, estamos decidindo esses detalhes agora mesmo, por esses dias”, conta, pelo telefone.

Fergie, que também conversou com exclusividade com a Billboard Brasil, é taxativa. “Não vamos deixar de ir ao Brasil, nem que pra isso precisemos aumentar a turnê. Se é para dar uma chegada aí, não ficamos cansados. O Brasil é muito poderoso hoje, é um mercado que manda, a gente faz tudo para atender”, comenta a cantora, pelo telefone.
Os shows do Black Eyed Peas em solo nacional foram anunciados para junho, mas tiveram de ser adiados. Entre outros motivos, porque a banda recebeu um convite irresistível: estrelar o show de abertura da Copa do Mundo da África do Sul, em Joanesburgo, na noite de 10 de junho, junto com Shakira, Alicia Keys e John Legend.
“Nossa! Vai ser uma experiência e tanto. É muita gente vendo no mundo inteiro, né?”, comenta Will, que teve naquele país duas das experiências mais emocionantes de sua carreira.
A primeira foi em 2004, ao participar do show em homenagem a dez anos de liberdade, e a segunda em 2006, quando o grupo tocou de graça para 40 mil (concerto registrado no clipe de “Union”, que conta com a voz de Sting, autor de “Englishman In New York”, base da faixa), com renda voltada para ações beneficientes da Peapod Foundation.
“Somos abertos à cultura do mundo. Adoramos conhecer e trocar experiências com outros povos. Quando a gente vai ao Brasil, não é só para o Rio e São Paulo. Rodamos o país, tocamos em outras cidades fora do eixo principal. Na América do Sul, viajamos por Argentina, Chile, Peru, Venezuela… Não somos como outras bandas americanas que acham que fazer carreira internacional é dar uma chegadinha em Londres, Paris, no máximo ir ao Japão…Tocamos na República Tcheca, na Indonésia, em Moscou, no maior número possível de lugares”, discursa Will.
O sucesso do Black Eyed Peas chegou a patamares inéditos em 2009: durante 26 semanas, a exata metade do ano, o primeiro lugar na parada Billboard Hot 100 foi ocupado pelo grupo, com “Boom Boom Pow” e “I Gotta Feeling”. A crítica costuma pegar no pé do Black Eyed Peas pelo caráter festeiro e supostamente “vazio” de hits como esses e mais “My Humps”, “Let’s Get It Started” (que originalmente tinha o título politicamente incorreto “Let’s Get Retarted”). Até na hora de elogiar alguma música, rolam expressões como “tão burra que é brilhante” ou “diversão desmiolada”.
Will diz que quando lê esse tipo de ataque aceita “com leveza”. “É a opinião de uma pessoa, tudo bem. A gente não sabe se essa pessoa conhece bem música eletrônica, se sai pra dançar, se conhece clubes noturnos… Mas tem outro lado: é a opinião de uma pessoa que não pagou o ingresso para ver o nosso show. Então tendemos a não levar tanto em consideração.” O rapper já passou por fases inseguras e, no começo da carreira, tinha problemas que descreveu na música “Anxiety”. Hoje, porém, isso é passado: “Eu não tenho mais ataques de pânico há muito tempo… Superei isso”. Se não liga tanto para o prestígio entre jornalistas, Will garante que prêmios como Grammy sempre serão representativos para a banda. “Mesmo quando eles possam parecer injustos, na opinião de alguém.”
Surpreendetemente, é Fergie, suposto estereótipo da “loira burra” ou, talvez mais apropriadamente, “gostosona porra-louca”, quem defende mais articuladamente a missão pop do Black Eyed Peas. “A economia está mal nos EUA e na Europa. As pessoas querem mais é escapar da realidade e de seus problemas. Essa é mesmo a proposta do nosso disco The E.N.D., sabe? Quando as pessoas vão ao nosso show, é uma oportunidade que elas têm de festejar, de esquecer a dureza de suas vidas. A gente tem um trabalho sério, uma fundação, Will faz comentários sociais e tal. Mas nós todos ficamos felizes e orgulhosos de poder proporcionar alívio durante tempos difíceis.”

Fergie: Melhor que Axl?
Trunfo de Slash no disco solo do guitarrista, a cantora tem um lado rock’n’roll a mostrar. Mas diz que ainda é cedo

Em Chicago, na noite de 13 de março, o show do Black Eyed Peas teve um convidado especial: Slash. Ele tocou “Sweet Child O’Mine”, acompanhado por Fergie “incorporando” Axl Rose. Depois fez a estreia pública mundial de “Beautiful Dangerous”, canção incluída em seu novo e aguardadíssimo álbum solo. A cantora não é apenas mais uma na lista de vips que engrossam o caldo no disco (Iggy Pop, Ozzy Osbourne, Chris Cornell, Alice Cooper…). “Ela tem uma das melhores vozes rock’n’roll que já ouvi, supera a maioria dos cantores dos gênero”, elogia o ex-Guns N’ Roses que mais faz falta ao grupo hoje em dia. Slash também registrou com ela e com o grupo de hemp rap Cypress Hill “Paradise City”, que será incluída como faixa-bônus nas edições do álbum em alguns países.
Uma coisa bem iconoclasta, que já suscitou reações negativas dos fãs. “Acho que mais pelo machismo. E também porque o andamento ficou mais lento”, explica o guitarrista. Com toda essa onda a favor, Fergie diz que não faz ideia de quando vai poder gravar seu tão antecipado disco solo “roqueiro”. “Nem sei se seria inteiramente assim. Eu gosto de muitas coisas, vou me influenciando por ritmos e pessoas diferentes. No momento, não consigo vislumbrar nada disso. Tenho muito trabalho ao vivo com o Black Eyed Peas pela frente”, acrescenta.
Casada com o ator Josh Duhamel, Fergie tem 35 anos e volta e meia se vê às voltas de boatos sobre gravidez. Mas desconversa: “Um dia, talvez. Também não consigo pensar muito nisso neste ano”. Sobre o tal do relógio biológico, ela brinca: “Olha, ele tem funcionado, sim. Fico mais cansada depois dos novos shows, que exigem muito – ainda mais com essas roupas e saltos que a gente mesmo inventou de usar. Haja massagem depois do show para aliviar as dores”.

Em fevereiro de 2008, quando a candidatura de Obama ainda não era um furacão, Will e o cineasta Jesse Dylan (filho de Bob) fizeram um vídeo, sem avisar o comitê nem nada. O rapper e produtor musicou trechos do discurso do candidato após a primária de New Hampshire, e celebridades bacanas como a atriz Scarlett Johansson, o legendário jazzista Herbie Hancock e o craque do basquete Kareem Abdul Jabbar toparam dar a carinha a tapa no que rapidamente se converteu em emocionante peça viral de campanha.
Na época, Will falava das esperanças que tinha no brother Barack: recuperar as finanças dos EUA, parar a guerra, melhorar a política de saúde e a educação. Agora, passados 13 meses desde a posse, segue apoiando incondicionalmente e trabalhando, com um fundo de bolsas escolares e outros trabalhos assistenciais. Apesar de todo o otimismo inspirado pela eleição do democrata, o país teve um 2009 bastante difícil. E 2010 não dá mostras de ser lembrado futuramente como good times. “Eu continuo apoiando… Obama está encarando de frente um tempo difícil. Não está sendo nada fácil, mas ele está tendo sucesso nas situações de conflito. O homem é um exemplo para o país inteiro. De continuar avançando, forçando as mudanças. Seguir tentando até conseguir. Depois de aprovar a reforma na área da saúde, acho que temos um desafio maior: a educação”, avalia o rapper.

Negro entre brancos

William James Adams cresceu numa área de Los Angeles com poucos negros, Palisades Park. Se por um lado absorveu muito do que seria a cultura “branca” local, a segregação “natural” que sofria acabou o empurrando para o convívio com outras etnias também deixadas de lado na hora de compor a mesa de almoço. Foi assim, nos tempos de high school, que Will conheceu seu futuro colega Allan Pineda Lindo, Ap.de.ap, mestiço de origem filipina e afro-americana.
Como quase todo menino, Will sonhou em ser jogador de futebol (no caso, americano), mas, adolescente, acabou dando mais certo como dançarino break. Ele e Al formaram um grupo, Tribals Of The Nations, que mais tarde evoluiria para Atban Klaan (Atban sendo sigla para A Tribe Beyond A Nation), incorporando as habilidades como rapper. “Participei de muitas batalhas MC. O Eazy-E me contratou por causa do meu freestyle”, costuma lembrar o líder do Black Eyed Peas.
Apesar do apelido, Eric Lynn Wright, o Eazy-E, não era nada fácil. Ex-traficante, abertamente associado à gangue dos Crips, ele fez parte do grupo NWA, que marcou o hip hop como um dos inventores do gangsta rap. Suas letras obscenas e violentas horrorizaram conservadores e até mesmo liberais. Posou com armas mesmo nos tempos de dono de gravadora, a Ruthless Records, que apostou em Will.i.am, mas engavetou seu disco.
Difícil imaginar a mente por trás de sucessos escandalosamente pop como “I Gotta Feeling” e “Boom Boom Pow” em sintonia com o autor de versos como “apavorei minha p*ta com minha máquinha Uzi/ Fui pra casa, chutei a porta e descarreguei o inferno”. Em tempos atuais, Will lembra de uma referência pop como norte em sua carreira, o primeiro rap de branco, “Rapture”, lançado pelo grupo new wave Blondie, de Debbie Harry, em 1981, que citava na letra (e mostrava no clipe, grafitando um muro) o pioneiro do hip hop Fab 5 Freddie. “É como se eu fosse o Freddie e a Fergie, a Debbie, estamos nessa mesma linha”, traçaria Will, anos depois.
No começo dos anos 90, porém, ele parecia mais ligado numa onda de hip hop “esclarecido”, irônico e sutil, de grupos como A Tribe Called Quest. Após a morte de Eazy-E por complicações decorrentes da aids, em 1995, Will ficou sem selo. Foi então que fundou o Black Eyed Peas, incorporando ao time uma cantora, Kim Hill, e um certo Jaime Gomez, apelidado Taboo – mais um mestiço do leste de Los Angeles, com sangue indígena e mexicano nas veias.
Não demorou muito para que o novo grupo assinasse com a Interscope e lançasse, em 1998, o álbum Behind The Front, que estreou no Top 200 da Billboard em 129º lugar. A crítica classificou o som como “hip hop alternativo” e, apesar do selinho na capa alertando pais e responsáveis para o conteúdo “proibidinho” de algumas letras, vieram elogios até de veículos conservadores como o jornal USA Today.
Precedido por um single festeiro, mas impulsionado por scratches, “Weekend”, o segundo álbum levou o grupo para o mainstream pop. Bridging The Gap saiu em 2000 trazendo participações de Macy Gray, De La Soul e Dj Premier, do Gang Starr, entre outros nomes com credibilidade no hip hop.

Quase Brasucas
No caso do BEP, a frase “gosto da cultura, das pessoas, da música, dos sabores do seu país” é sincera e baseada em experiências reais

No ano passado, a seleção de futebol dos Estados Unidos aprontou na Copa das Confederações: chegou à final derrubando uma invencibilidade de três anos da Espanha, que estava no topo do ranking da Fifa. Na decisão, abriu 2 a 0 no Brasil e só sucumbiu à virada aos 39 do segundo tempo. Mas nem esse histórico recente de superação comove Will e Fergie na hora de apontar seus favoritos para a Copa da África do Sul.
“Vou torcer pelo Brasil. A gente não se importa tanto e vocês são muito melhores mesmo”, diz o rapper. “Bom, eu não entendo nada de football”, começa a cantora, já demonstrando que alguma coisa sabe, pois não quis usar a palavra soccer. “Já vi alguns jogos na Inglaterra e tal, mas conheço melhor outros esportes. Meu pai era quarterback! Mas acho que essa Copa o Brasil vai ganhar, né?”, avalia ela, fã do nosso açaí.
Sem demagogia, o pessoal do Black Eyed peas não esquece do carinho com que é recebido no Brasil e enxerga o público daqui como expert no assunto. Expert com acentuação na última sílaba, com o sotaque francês que Will usa para fazer sua imitação de David Guetta.
“Sabe o que é interessante: a gente roda o mundo todo e, em todos os países, sem exagero, tem sempre uma bandeira do Brasil, gente com camisas de futebol. Vocês são terríveis, estão em toda parte. E parecendo estar se divertindo mais do que os outros”, brinca. “Eu pessoalmente sempre serei grato ao país onde tivemos nosso maior público, na noite de réveillon, em 2006, em Ipanema. Jamais esquecerei: 1 milhão de pessoas e aquela vibe.”
Sem demagogia, Will admite que não tem ouvido música brasileira. Mas, na hora de dizer com quem gostaria de trabalhar, depois de ter associado com nomes como Michael Jackson, James Brown, Pete Townshend, Prince, ele reserva um mimo: “Jorge Ben Jor. Esse gênio falta no meu álbum. Gostaria seriamente de produzir um disco dele”.

Globalização planejada

O Black Eyed Peas como conhecemos hoje começa mesmo apenas a partir de 2002, com a entrada de Fergie para a gravação de Elephunk. Kim Hill, sem status de integrante oficial, ganhava uma substituta com a star quality necessária para fazer o grupo estourar mundialmente. E o plano já parecia estar meticulosamente traçado: Will importou samples de música indiana, botou pra dentro o ragga jamaicano de Tippa Irie, puxou a brasa para a sardinha hispânica com “Latin Girls” e, na faixa “Sexy”, introduzida pela melodia de “Insensatez”, tratou de validar a brasilidade com uma presença ilustre. “Fazer amor como Sérgio Mendes toca o piano”, chamava o rap, antesda participação do músico niteroiense. O resultado: mais de oito milhões de discos vendidos planeta afora.
Elephunk marcou essa vocação para o global, mas ganhou o jogo mesmo dentro de casa, a partir da ideia de Ron Fair, legendário executivo de Artistas & Repertório. Foi ele quem sugeriu a participação de Justin Timberlake, um grande talento que até então tinha baixo quociente de credibilidade, recém-saído do ‘N Sync. Com ele nos vocais, “Where Is The Love?” varreu estações de rádio e emocionou a América com sua mensagem pacifista no momento em que o país chafurdava na guerra “antiterrorista” de George W. Bush: foi o primeiro Top 10 do BEP na parada Billboard (chegou ao oitavo lugar).
Monkey Business, de 2005, seguiu na mesma veia, repetindo fórmulas e dando mais espaço para Fergie brilhar. Beliscou o topo da listagem Billboard 200 de álbuns, mas parou no segundo lugar. Com produção executiva de Will, a cantora lançaria seu álbum solo. The Dutchess, em 2006, e no ano seguinte foi a vez do líder do grupo botar no mercado um projeto individual, Songs About Girls.
Para The E.N.D. (siga que significa “energy never dies”, “energia nunca morre”), a ambição era mesmo dominar o mundo, desprezando conceitos como “radiofônico” ou comercial. Com as lojas de disco em extinção, o Black Eyed Peas pensou no álbum como uma penca de hits direcionados para o mundo da balada, da música eletrônica. “Todas as faixas foram feitas pensando nos clubes. Quero ser o rei em Vegas, Ibiza, St. Tropez, Dubai, Londres, França e Brasil”, anunciou Will, pouco antes de soltar o petardo no mercado. Com ajuda de DJs como o francês David Guetta, a intenção se concretizou.
Conceitualmente, o próprio produto álbum passou a ser trabalhado como um software, a ser atualizado inúmeras vezes depois da data oficial de lançamento: os upgrades, no caso, são versões de luxo ou especiais, com remixes, clipes, mash-ups e todo o conteúdo gerado na web a porteriori pela banda e por colaboradores. Isso sem falar nos licenciamentos publicitários, eventos especiais… E, claro, factoides brilhantes como o do flash mob que botou mais de 20 mil pessoas dançando “I Gotta Feeling” no show de abertura da temporada do programa de Oprah Winfrey, em Chicago. “Fico feliz de ter conseguido fazer sucesso contrariando alguns dogmas e ideias antigas. Mas a responsabilidade continua conosco. Temos de pensar em mais possibilidades, ideias envolvendo celulares e outras plataformas”, diz Will. “O futuro está sendo decidido agora!”

Em breve as scans da revista.

Autor do Post
Renato Cavalcanti

Comentários

1 Comentário
  1. postado por
    Gufergie
    abr 10, 2010

    *-* vou comprar todas!

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